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Corsa Wagon GLS 1997: A perua que herdou motor de esportivo

07 de março de 2026
7 min de leitura
Corsa Wagon GLS 1997: A perua que herdou motor de esportivo

A Chegada de Uma Perua com Alma Esportiva

No cenário automotivo brasileiro de 1997, marcado pelo envelhecimento de peruas como a Fiat Elba e a ausência da Marajó, a Chevrolet Corsa Wagon surgiu como uma aposta ousada e moderna. Lançada em São José dos Campos, com projeto que incluía um teto desenhado localmente, ela veio para competir diretamente com a recém-chegada Palio Weekend e a Escort SW. Oferecida em duas versões, GL e GLS, a Corsa Wagon prometia inovação e desempenho, com preços que variavam entre R$ 19 mil e R$ 26 mil na época.

Motorização GLS: O Coração do GSi Adaptado

A versão GLS da Corsa Wagon se destacava por sua motorização, herdando o aclamado motor 1.6 16V de duplo comando, derivado diretamente do esportivo Corsa GSi. Embora sua potência tenha sido ligeiramente reduzida de 108 para 102 cv para se adequar ao maior peso e proporções da perua, a GM realizou ajustes estratégicos. Houve redução da taxa de compressão (de 10,5 para 9,8) e novos comandos de válvulas, visando maior elasticidade e torque em baixas rotações, cruciais para um veículo de carga e família. A versão GL, por sua vez, vinha com o 1.6 8V de 92 cv. Essa escolha mecânica conferiu à GLS um caráter dinâmico e agradável de dirigir, destacando-se na categoria.

Design Inteligente e Inovação no Interior

Baseada no Corsa hatch de cinco portas, a Corsa Wagon compartilhava o comprimento do modelo Sedan (4,026 metros), sem alterações na distância entre eixos (2,443 m) ou na suspensão traseira (eixo de torção), que foi recalibrada para o novo peso. O interior mantinha o padrão de acabamento e espaço dos outros modelos Corsa. A grande inovação estava no porta-malas com assoalho duplo, que escondia dois compartimentos removíveis de 60 litros, com o estepe em um nível inferior. Essa solução, além de prática, facilitava o manuseio de volumes. A capacidade total do porta-malas era de 400 litros, um pouco abaixo dos 432 litros da Palio Weekend. Apesar de ser a versão de topo, a GLS ainda oferecia como opcionais surpreendentes itens como vidros elétricos e ajuste elétrico dos espelhos, enquanto o ajuste elétrico de faróis era de série.

Desempenho e Posicionamento de Mercado

Com um motor 'cheio' e disposto, a Corsa Wagon GLS 16V entregava desempenho condizente com sua proposta: aceleração de 0 a 100 km/h em 11 segundos e velocidade máxima de 190 km/h. O câmbio, embora não tão 'curto' quanto o do GSi, era adequado para o modelo, proporcionando boa dirigibilidade. Equipada com rodas de alumínio aro 14 e pneus 185/60 na versão GLS, a perua apresentava excelente estabilidade e comportamento neutro. O consumo oficial da GLS era de 11,3 km/l na cidade e 17,8 km/l na estrada. A Chevrolet Corsa Wagon, ao lado da Ipanema, tinha a desafiadora missão de defender o segmento de peruas da GM contra fortes concorrentes, prometendo um bom trabalho de estilo e funcionalidade.

Corsa Wagon GLS 1997: A perua que herdou motor de esportivo
Parece decisão precipitada, mas não é. Enquanto a GM lançava o Corsa hatch no Brasil, quase três anos atrás, era dado o sinal verde para a Corsa Wagon. Afinal as peruas da concorrência estavam envelhecendo (Elba) e a da casa (Marajó) já não existia mais. Por isso, quase ao mesmo tempo em que surge a Palio Weekend e a Escort SW (esta em segmento superior), a Corsa Wagon chega ao mercado, produzida em São José dos Campos. E desenhada aqui mesmo, inclusive o teto, peça inteiriça totalmente nova.
Os preços oscilarão entre R$ 19 mil e R$ 26 mil, dependendo da versão e dos opcionais. As duas versões oferecidas são a GL e a GLS, ambas dotadas de motor 1.6. A diferença é que a GL vem com o mesmo motor do Corsa GL, o oito válvulas de 92 cv que emprega injeção multiponto semissequencial, enquanto a GLS recebe nada menos do que o 16V de duplo comando derivado daquele que equipava o Corsa GSi.
Corsa Wagon era boa novidade dos tempos em que os SUVs não dominavam tudo
Autoesporte/Acervo MIAU
Sua potência foi diminuída de 108 para 102 cv, por força de adequação a veículo de maior peso do que o pequeno Corsa hatch de três portas, cuja produção foi suspensa, para surpresa geral, em agosto do ano passado.
Entre os trabalhos de adequação para o motor na Corsa Wagon estão redução da taxa de compressão (de 10,5 para 9,8) e novos comandos de válvulas, visando dar maior elasticidade de funcionamento. A aparência externa é a mesma, com a grande câmara do sistema de admissão de ar dominando o compartimento do motor, uma visão que sempre agrada a quem aprecia mecânicas refinadas.
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Mas foi notada a ausência da bomba de ar que servia para aumentar a eficiência do catalisador e reduzir as emissões durante a fase de aquecimento do motor. Segundo a fabricante, as normas brasileiras a respeito ainda são mais brandas do que as atuais, na Europa, a esse respeito.
Boa estabilidade, com comportamento geralmente neutro e rodas aro 14
Autoesporte/Acervo MIAU
A Corsa Wagon deriva obviamente do hatchback de cinco portas, do qual usa as mesmas quatro portas. Mas em comprimento o valor adotado é o do modelo Sedan (o de três volumes), os mesmos 4,026 metros. Não houve alteração da distância entre eixos (2,443 m) e nem no tipo de suspensão traseira (eixo de torção), ao contrário da concorrente direta Palio Weekend. Apenas houve recalibração, em razão do maior peso sobre o eixo.
Internamente, a Corsa Wagon guarda exatamente o mesmo padrão de acabamento e apresenta idêntico espaço interno em relação aos demais modelos da família. Uma novidade, sem dúvida, é o arranjo do compartimento de bagagem, em que o assoalho é duplo. Onde normalmente se veria o estepe ao levantar-se o carpete do fundo do compartimento, o que se encontra são dois grandes porta-objetos com tampa e capacidade total em torno de 60 litros.
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Estes podem ser removidos, se desejado. Abaixo desse nível é que fica guardado o estepe, em posição horizontal, tal e como nos Corsa conhecidos — tudo parece ter sido concebido de maneira a não ser preciso utilizar para-choque traseiro dividido entre tampa e estrutura traseira, uma solução que parece sadia do ponto de vista de resistência a impactos pela retaguarda.
Além disso, fica mais fácil colocar e retirar volumes do compartimento de carga quando perfeitamente plano, sem o degrau correspondente ao para-choque. Mas, em compensação, para se trocar o pneu em um dia chuvoso, o que se faz com esses dois ‘caixotes’? Vão para o chão? A capacidade de bagagem com os bancos traseiros em posição normal é de 400 litros, segundo a fabricante, valor inferior ao da Palio Weekend, 432 litros, já aferido.
Interior caprichado, mas vários itens eram opcionais mesmo sendo uma GLS
Autoesporte/Acervo MIAU
Como no Escort GLX, só o encosto do banco traseiro é dividido: o assento, não. É estranho. O triângulo de segurança fixado na tampa traseira, bem firme e acolchoado, além de ser fácil armá-lo rapidamente, permite sinalizar o veículo parado tão logo possível. Mas faltou a providencial alça na parte interna da tampa, o que sempre facilita o seu fechamento, além de evitar sujar as mãos. Mas isso é fácil de corrigir.
A surpresa fica para o fornecimento como opcional do conjunto de levantadores elétricos dos vidros (todos com acionamento de um toque). Deveria ser de série, considerando tratar-se de versão GLS.
O projeto derivava do Corsa 4 portas, mas o tamanho era o mesmo do Corsa sedã
Autoesporte/Acervo MIAU
Há opcionais diversos, como freios com antitravamento (ABS), alarme antifurto com sensor de quebra de vidro, imobilizador de motor por meio de chave codificada, ar-condicionado com filtro de poeira e – também inesperado – ajuste elétrico dos espelhos externos. Mas o ajuste de farol (elétrico) a bordo é de série e se reveste de utilidade em veículos desse tipo, por ser possível carregá-lo bastante.
Surpresas de especificação de equipamentos à parte, a Corsa Wagon GLS 16V causou boa impressão. Seu motor é ‘cheio’, no sentido de estar sempre disposto a produzir boas acelerações e retomadas. Em relação ao que se conheceu no GSi, as mudanças foram acertadas.
Porta-malas tinha um segundo nível abaixo do assoalho, adicionando 60 litros
Autoesporte/Acervo MIAU
O câmbio não obedece ao conceito de marchas juntas (numericamente) do modelo esportivo desaparecido (e do Corsa Super 1,0 litro), mas está aparentemente certo para a wagon. Com a versão de marchas mais próximas umas das outras talvez não ficasse tão bom.
As rodas de alumínio de 14 polegadas são de série na GLS e opcionais na GL, mas de desenhos diferentes. Vêm com pneus de perfil 60 e 185 mm de seção transversal. O resultado estético e de comportamento é dos melhores – a wagon é totalmente neutra, e para fazer sair a traseira só forçando a situação. A GL vem de série com rodas de aço aro 13 e pneus 165/70.
A nova wagon da GM é agradável de andar, bem no jeito dos carros atuais. Os freios parecem compatíveis e passam sensação de segurança, inclusive pela presença do sistema contra travamento. Falando de segurança, a Corsa Wagon não dispõe de bolsas infláveis (airbags) nem como itens opcionais, mas é tida como certa sua inclusão daqui a aproximadamente um ano.
Motor quase igual ao do descontinuado Corsa GSi, mas com 6 cv a menos
Autoesporte/Acervo MIAU
O sistema de áudio – outro opcional – inclui alto-falantes de alta frequência (tweeters) instalados nas colunas posteriores, uma solução ainda não vista na produção nacional. Ao total são oito alto-falantes, com boa qualidade de sonorização. A antena de teto continua lá atrás e age também como elemento decorativo. A Corsa Wagon agrada como um todo, evidenciando mais um bom trabalho de estilo da GM.
O desempenho da GLS anunciado pela fábrica fala em velocidade máxima de 190 km/h e aceleração de 0 a 100 km/h em 11 segundos exatos. Já a GL, 177 km/h e 12,3 s, respectivamente. Valores adequados e coerentes com a proposta, que contribuirão para o sucesso do novo Chevrolet. As características aerodinâmicas correspondem às do hatchback de cinco portas, com Cx 0,34 e área frontal de 1,88 m2, igualando-se ao GSi nesse respeito. O consumo oficial da GLS fica em 11,3 e 17,8 km/l, cidade e estrada (GL, 12,8 e 17,5 km/l).
Junto com a Ipanema, a Corsa Wagon defenderá o segmento em que Marajó e Suprema não atuam mais. A oposição não será fácil, pois a Palio Weekend está aí mesmo e a ‘rainha’ Parati, da Volkswagen, vai ganhar mais duas portas brevemente. Os tambores de guerra estão mesmo rufando...
Publicado originalmente em Autoesporte num. 382, de março de 1997
Ficha técnica do Corsa Wagon GLS
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Fonte: Auto Esporte

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Fonte: Auto Esporte