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Mercado

Seguro de Carro: Apenas 29% da Frota Brasileira Está...

20 de julho de 2026
6 min de leitura
Seguro de Carro: Apenas 29% da Frota Brasileira Está...

O Cenário Alarmente do Seguro Automotivo no Brasil

Uma pesquisa inédita da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) revela que a vasta maioria dos veículos brasileiros, cerca de 71% da frota, circula sem qualquer tipo de proteção. Dos 63,3 milhões de automóveis no país, aproximadamente 44 milhões rodam desprotegidos contra roubo, furto, colisão e outros imprevistos. Mesmo com o mercado de seguro automotivo tendo quase dobrado de tamanho na última década, atingindo uma arrecadação de R$ 61,6 bilhões, a cobertura ainda se mantém estável em apenas 29%, indicando que a proteção veicular é percebida como um luxo ou um custo secundário por grande parte da população.

O Perfil do Segurado Brasileiro

Classe C Lidera a Contratação

Contrariando a percepção comum, a classe C, com renda mensal entre R$ 5.648 e R$ 14.120, é a principal consumidora de seguro automóvel no Brasil, representando 41% dos segurados. Este fenômeno, segundo Alexandre Leal da CNseg, reflete tanto o crescimento do poder de compra quanto a mudança na forma como esses consumidores enxergam o seguro, incluindo-o no planejamento de compra do veículo. Na sequência, aparecem as classes B (24%), D (23%), E (7%) e A (5%).

Idade e Valor do Veículo

O estudo aponta que pessoas em idade economicamente ativa são os principais contratantes: 29% dos segurados têm entre 36 e 45 anos, e 26% entre 46 e 55 anos. Além disso, a proteção veicular não se restringe a carros de luxo. Cerca de 46% dos veículos segurados custam até R$ 70 mil, e outros 27% estão na faixa de R$ 71 mil a R$ 100 mil, evidenciando a popularização do seguro entre proprietários de carros de entrada e intermediários.

Distribuição Regional

A distribuição de apólices acompanha a concentração da frota nacional. O Sudeste lidera com 53% dos veículos segurados, seguido pelo Sul (16%), Centro-Oeste (15%), Nordeste (12%) e Norte (4%), que possui a menor taxa de carros assegurados.

Desafios e Oportunidades de Crescimento

Alexandre Leal destaca que o custo da apólice (geralmente entre 4% e 8% do valor do veículo), a renda limitada e a percepção de que o seguro é um gasto secundário são os principais fatores para a baixa penetração. Muitos proprietários desconhecem as modalidades de cobertura ou não veem o seguro como uma ferramenta de proteção patrimonial. Apesar desses desafios, o mercado de seguros automotivos projeta um crescimento de 7,8% para 2026, impulsionado pela recuperação das vendas de veículos e pela renovação da frota. O enorme potencial reside nos 44 milhões de veículos desprotegidos, especialmente entre a classe média, que já demonstra ser um público estratégico.

Seguro de Carro: Apenas 29% da Frota Brasileira Está...
Embora o mercado de seguro automóvel tenha praticamente dobrado de tamanho na última década, a proteção ainda está distante da realidade da maioria dos proprietários de veículos no Brasil. Um levantamento inédito da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg), mostra que apenas 29% da frota nacional possui seguro.
Na prática, isso significa que cerca de 44 milhões dos 63,3 milhões de automóveis em circulação no país rodam sem qualquer cobertura contra roubo, furto, colisão ou outros imprevistos.
O estudo da CNseg é o primeiro realizado pela entidade para traçar o perfil do segurado brasileiro e reúne informações fornecidas por seguradoras que representam aproximadamente 60% da arrecadação do mercado de seguro de automóveis.
A pesquisa também revela o perfil dos brasileiros que mais contratam esse tipo de serviço. Segundo os dados, 41% dos segurados pertencem à classe C, tornando esse grupo o principal consumidor de seguro automóvel no país. Por outro lado, a porcentagem de pessoas desta faixa que contratam proteção veicular é consideravelmente menor do que a participação da classe C na população brasileira, que é de 59%, de acordo com a FGV Social.
Classe C lidera contratação de seguros
da Comissão de Inteligência de Mercado (CIM)
Para o levantamento, a CNseg utilizou a classificação de renda do IBGE. Nela, a classe C reúne famílias com renda mensal entre R$ 5.648 e R$ 14.120, faixa que representa a maior parcela da classe média brasileira.
Em relação à contratação de seguros, na sequência aparecem a classe B (24%), com renda entre R$ 14.120 e R$ 28.240; a classe D (23%), entre R$ 2.824 e R$ 5.648; a classe E (7%), com renda de até R$ 2.824; e a classe A (5%), formada por famílias com renda superior a R$ 28.240.
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Segundo Alexandre Leal, diretor técnico, de Estudos e Relações Regulatórias da CNseg, a liderança da classe C está relacionada tanto ao crescimento do poder de compra dessa parcela da população quanto à mudança na forma como o consumidor enxerga o seguro.
"O próprio levantamento mostra que a classe C já é protagonista do mercado de seguro automóvel. Isso acelera o desenvolvimento de produtos mais personalizados, coberturas modulares, contratação digital e modelos mais compatíveis com a realidade financeira das famílias", afirma.
A entidade avalia ainda que muitos consumidores desse grupo passaram a incluir o custo do seguro no planejamento da compra do veículo, principalmente nos grandes centros urbanos, onde roubos, furtos e colisões tornam a proteção mais atrativa.
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Perfil do segurado
Pessoas entre 36 e 55 anos representam metade de clientes que possuem seguradora
Michel Corvello/Ministério dos Transportes
A pesquisa mostra que o seguro automóvel é contratado principalmente por consumidores em idade economicamente ativa. Pessoas entre 36 e 45 anos representam 29% dos segurados, enquanto a faixa de 46 a 55 anos responde por outros 26%. Juntos, esses grupos concentram mais da metade da base de clientes das seguradoras.
O estudo também indica que a maior parte das apólices está concentrada em veículos de menor valor. Cerca de 46% dos automóveis segurados custam até R$ 70 mil, enquanto outros 27% estão na faixa entre R$ 71 mil e R$ 100 mil. Os veículos avaliados entre R$ 100 mil e R$ 150 mil representam 18% da carteira, e apenas 9% possuem valor superior a R$ 150 mil.
Os números mostram que o seguro automóvel deixou de ser um serviço associado apenas a veículos mais caros e acompanha a popularização dos carros de entrada e intermediários entre consumidores da classe média. Por outro lado, quase dois terços da frota ainda não ter seguro mostra que a proteção pode ser vista como algo de luxo.
Sudeste concentra mais da metade dos veículos segurados
A distribuição regional acompanha a concentração da frota nacional. O Sudeste responde por 53% dos veículos segurados, seguido por Sul (16%), Centro-Oeste (15%), Nordeste (12%) e Norte (4%).
Norte é a região do Brasil com menos carros assegurados
da Comissão de Inteligência de Mercado (CIM)
Segundo a CNseg, fatores como renda média mais elevada, maior urbanização e concentração populacional ajudam a explicar a liderança do Sudeste, região que também concentra a maior parcela dos automóveis em circulação no Brasil.
Por que tantos brasileiros ainda não fazem seguro?
Apesar da expansão do setor, a penetração do seguro permanece praticamente estável. Segundo a CNseg, os atuais 29% de cobertura representam uma pequena variação em relação aos cerca de 30% registrados anteriormente pela FenSeg, indicando que a maior parte da frota continua sem proteção.
Para Alexandre Leal, três fatores ajudam a explicar esse cenário: o custo da apólice, a renda limitada de parte da população e a percepção de que o seguro ainda é um gasto secundário.
De acordo com a entidade, o seguro costuma representar entre 4% e 8% do valor do veículo. Em um carro avaliado em R$ 50 mil, por exemplo, a apólice pode custar entre R$ 2 mil e R$ 4 mil por ano, valor que muitas famílias ainda têm dificuldade para encaixar no orçamento.
Além da questão financeira, a CNseg afirma que muitos proprietários desconhecem as diferentes modalidades de cobertura disponíveis ou não enxergam o seguro como uma ferramenta de proteção patrimonial, principalmente entre proprietários de veículos mais antigos.
Mercado segue em crescimento
Cerca de 46% dos automóveis segurados custam até R$ 70 mil
Foto: Thinkstock
Mesmo com a baixa taxa de cobertura, o mercado de seguro automóvel continua em expansão. Entre 2016 e 2025, a arrecadação do segmento passou de R$ 31,7 bilhões para R$ 61,6 bilhões, crescimento nominal de 94%.
No mesmo período, as indenizações pagas pelas seguradoras aumentaram de R$ 21,2 bilhões para R$ 35,5 bilhões, refletindo tanto a valorização dos veículos quanto o aumento dos custos de reparo e reposição.
Para 2026, a CNseg projeta crescimento de 7,8% para o segmento, impulsionado pela recuperação das vendas de automóveis, pela renovação gradual da frota e pela expansão dos modelos híbridos e elétricos.
Ainda assim, o principal potencial de crescimento continua sendo a enorme parcela da frota brasileira que permanece desprotegida. Com cerca de 44 milhões de veículos circulando sem seguro, a entidade avalia que há espaço para ampliar a penetração do produto, especialmente entre consumidores da classe média, que já representam o principal público das seguradoras.
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Fonte: Auto Esporte

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