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Futuro Incerto: Citroën e Peugeot fora do plano da...

25 de maio de 2026
5 min de leitura
Futuro Incerto: Citroën e Peugeot fora do plano da...

Futuro Incerto: Citroën e Peugeot Fora do Radar da Stellantis no Brasil

O recente anúncio do plano de investimentos da Stellantis no Brasil, que prevê um aporte de R$ 350 bilhões até 2030, trouxe à tona uma ausência notável: a falta de menção a qualquer novo produto ou estratégia específica para as marcas Citroën e Peugeot. O plano detalha o lançamento de dez veículos inéditos, a adoção da plataforma STLA Medium e novas motorizações eletrificadas para Fiat, Jeep e Ram, gerando um sinal de alerta para o futuro das montadoras francesas no mercado brasileiro.

Investimentos e Resultados Aquém do Esperado

Nos últimos anos, tanto Citroën quanto Peugeot se esforçaram para renovar seus portfólios no Brasil, com lançamentos como o Citroën C3, Aircross e Basalt, além das novas gerações do Peugeot 208 e 2008. Apesar desses esforços significativos, que incluíram a produção local de modelos acessíveis e SUVs, a participação das duas marcas no mercado nacional não respondeu positivamente. Após um breve crescimento pós-pandemia em 2022, ambas voltaram a perder terreno, especialmente frente ao avanço das montadoras chinesas, indicando que os investimentos não se traduziram em sustentabilidade de vendas.

Os Desafios e as Possíveis Estratégias da Stellantis

A ausência das marcas francesas no cronograma de médio prazo da Stellantis sugere que a empresa pode estar reavaliando sua presença a longo prazo. O antigo legado de percepção de falta de confiabilidade, pós-venda deficiente e alta desvalorização no mercado de usados parece ser uma barreira persistente, mesmo com a modernização dos produtos e a adoção de motorizações compartilhadas com a Fiat (1.0 Firefly e 1.0 Turbo 200).

Impacto na Rede de Concessionárias e Concorrência Interna

Fontes indicam que a Stellantis já estaria sinalizando aos concessionários uma falta de perspectiva para novos produtos. Para evitar indenizações contratuais elevadas, a estratégia pode ser a de oferecer a representação de outras marcas do grupo, como a chinesa Leapmotor. Há relatos de que grupos de lojistas estariam sendo convidados a suspender a operação das marcas francesas por até três anos, usando o espaço para outras bandeiras, com compensações financeiras caso optem por não retornar.

Outro fator complicador é a crescente concorrência interna. A Stellantis planeja lançar novos produtos Fiat e Jeep, como as próximas gerações de Argo, Pulse e Fastback, utilizando a mesma plataforma CMP já empregada por Citroën e Peugeot. Essa convergência tecnológica e de posicionamento de preços cria um cenário de canibalização, tornando difícil justificar a manutenção de tantas ofertas no mesmo segmento.

O Futuro da Produção e a Sobrevivência de Peugeot na Região

A fábrica de Porto Real (RJ), atualmente responsável pela produção dos modelos nacionais da Citroën, também enfrenta um futuro incerto. Declarações recentes do diretor de operações da Dongfeng (DFM) no Brasil sobre possíveis conversas para compartilhar o uso da planta indicam que a Stellantis pode não pretender manter a produção da Citroën ali por muito mais tempo, além da anunciada fabricação do Jeep Avenger.

Para a Peugeot, o cenário é ligeiramente distinto. Sua força e produção na Argentina podem garantir uma sobrevida no Brasil como mercado secundário, contribuindo para volumes de vendas e produção na América do Sul. Contudo, projetos como uma futura geração regional do Peugeot 3008, supostamente destinada à Argentina, permanecem em dúvida, já que também não foram mencionados nos planos estratégicos divulgados pela Stellantis. A incerteza paira sobre as marcas, deixando motoristas e entusiastas ansiosos por definições claras sobre seu futuro no país.

Futuro Incerto: Citroën e Peugeot fora do plano da...
Durante o anúncio do plano de investimentos de US$ 70 bilhões ou R$ 350 bilhões para o Brasil, a Stellantis fez várias confirmações para o mercado brasileiro, que vão totalizar dez produtos inteiramente novos e a adoção de uma nova plataforma (a STLA Medium) e nova motorização eletrificada até 2030.
Como já contamos em outros artigos, a estratégia prevê: uma nova geração do Fiat Argo; três novos SUVs da marca Fiat (novos Pulse e Fastback, e um inédito de sete lugares); novas gerações dos Jeep Renegade, Compass e Commander; novas gerações das picapes Fiat Strada, Fiat Toro e Ram Rampage; e uma inédita motorização híbrida plena (HEV) flex.
Percebeu alguma ausência? Pois é: não há qualquer menção a Citroën ou Peugeot em todo o cronograma anunciado para o mercado brasileiro! E isso é um sinal nada positivo para o futuro das duas marcas francesas em nosso país.
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É claro que não se encerra duas operações antigas como as de Citroën e Peugeot em um mercado complexo como o Brasil de uma hora para outra. Especialmente quando sabemos que, nos últimos anos, as duas marcas atualizaram profundamente o portfólio de produtos, com os novos Citroën C3, Aircross e Basalt, além da troca de geração dos Peugeot 208 e 2008.
Peugeot 2008 estreou em nova geração em 2024
Júlia Maria Toledo/Autoesporte
Entretanto, apesar desses investimentos, a participação das duas francesas nos percentuais nacionais de venda insiste em não responder positivamente.
Após uma perspectiva de crescimento pós-pandemia, com os melhores resultados em mais de uma década para as duas marcas obtidos em 2022, Citroën e Peugeot voltaram a perder terreno nos últimos três anos e, em 2026, estão com percentuais ainda mais baixos, especialmente devido ao avanço de novas concorrentes chinesas. Confira o histórico na tabela abaixo:
Citroën e Peugeot - Histórico de participação no mercado brasileiro
Por isso, não haver nenhuma menção às duas nos planos de médio prazo da Stellantis para o Brasil pode indicar que a empresa já não enxerga mais solução para elas. Mesmo com a troca de plataforma dos produtos e a adoção da mesma motorização 1.0 Firefly e 1.0 Turbo 200 usada em carros da Fiat, o antigo legado de falta de confiabilidade, má fama no pós-venda e desvalorização no mercado de usados parece ter se tornado um barreira intransponível.
Autoesporte apurou que, entre concessionários, a sinalização implícita é a de falta de perspectiva de novos produtos e descontinuação gradual das operações. Como os contratos com a rede de revendedores são muito restritivos e preveem indenizações altíssimas em caso de rescisão antes da hora, a tendência é que a Stellantis ofereça, em vez disso, a representação de outras marcas de seu guarda-chuva, como a chinesa Leapmotor.
Uma das soluções da Stellantis pode ser trocar aos poucos a rede de Peugeot e Citroën por lojas da chinesa Leapmotor
Reprodução/Grupo Amazonas
Segundo fontes, a montadora já estaria, inclusive, oferecendo a alguns grupos de lojistas a possibilidade de suspender a representação das marcas Citroën e Peugeot por até três anos, dando a eles a abertura para usar os espaços de revenda para operar com outra marca no período. Passado esse prazo, o concessionário decide se quer voltar ou não, recebendo as devidas compensações financeiras caso opte por encerrar o contrato definitivamente.
Há outro fator em jogo. A partir deste ano, a Stellantis vai lançar os dois primeiros produtos Fiat e Jeep no Brasil com a plataforma CMP já usada por Citroën e Peugeot. No caso específico da Fiat, os novos Argo, Pulse, Fastback, além de um inédito SUV de sete lugares (estes dois últimos, derivados do projeto europeu Grizzly) usarão a mesma estrutura de C3, Basalt e Aircross, ocupando uma faixa muito parecida de preços. Não há por que manter tantos carros concorrendo entre si.
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Por fim, um detalhe nada fortuito. Em sua participação no podcast CBN Autoesporte, que foi ao ar em 13 de maio, o diretor de operações da DFM (Dongfeng) no Brasil, Felipe Amaral de Souza, admitiu conversas com a Stellantis para compartilhar o uso da fábrica de Porto Real (RJ), que atualmente produz os três carros nacionais da Citroën.
"As duas parcerias mais exitosas [da Dongfeng] na China [são com] Nissan e PSA [Peugeot e Citroën]. Então, naturalmente, esses parceiros já são quase que globais e conversas sempre vão existir. Ainda não está cravado, mas, sim, [a fábrica de Resende (RJ)] da Nissan é uma das opções. [A da Citroën em Porto Real (RJ)] é outra opção que a gente já olhou também", revelou Felipe Amaral de Souza, diretor de operações da DFM no Brasil.
Citroën Basalt linha de produção fábrica Porto Real (RJ)
Divulgação
A revelação de Amaral não significa que o acordo de compartilhamento esteja fechado, mas dá bons indícios das perspectivas que a Stellantis tem para aquele complexo. Se a fabricante considera compartilhar o uso do complexo fluminense com outra montadora, é sinal de que não pretende manter em linha os produtos da Citroën ali por muito mais tempo. Afinal, fora a fabricação do Jeep Avenger a partir deste ano, não há a previsão de nenhum outro investimento para o local.
Se o destino da Citroën no Brasil parece já traçado, a Peugeot vive um cenário ligeiramente distinto, pois a marca tem força na Argentina e produção no país vizinho. Isso pode garantir sua sobrevida no Brasil, como um mercado secundário que apenas ajuda a operação na América do Sul a ter volumes um pouco melhores de vendas e produção.
Segundo o Autos Segredos, há em desenvolvimento uma futura geração regional do Peugeot 3008, cuja produção poderia ser destinada para a Argentina. Entretanto, esse projeto fica em dúvida uma vez que ele sequer foi mencionado no plano estratégico da Stellantis.
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Fonte: Auto Esporte

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