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IPI Verde: Montadoras Reduzem Potência de Carros no Brasil

03 de junho de 2026
8 min de leitura
IPI Verde: Montadoras Reduzem Potência de Carros no Brasil

IPI Verde: A Nova Estratégia das Montadoras no Brasil

A indústria automotiva brasileira está passando por uma significativa reconfiguração impulsionada pela busca incessante pela redução da carga tributária. Desde a implementação da nova tabela do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI), conhecida como IPI Verde, parte do programa Mobilidade Verde e Inovação (Mover), as fabricantes de veículos têm adotado uma estratégia clara: diminuir a potência dos motores flex de seus carros nacionais. Este movimento visa otimizar os custos de produção e, consequentemente, as margens de lucro, ou suavizar a pressão por aumentos de preços ao consumidor.

Antes, a tributação do IPI era predominantemente definida pela capacidade cúbica do motor. Contudo, com a nova lógica do IPI Verde, a potência máxima do motor tornou-se o fator preponderante. Agora, o percentual base de IPI, que começa em 6,3%, pode ser significativamente alterado para cima ou para baixo, dependendo de critérios como motorização, conteúdo local e emissões, com a potência do motor exercendo um papel crucial.

Montadoras em Ação: Exemplos Práticos da Redução de Potência

Diversas montadoras já recalibraram ou planejam recalibrar seus motores para se adequarem à nova tabela e evitar os acréscimos percentuais de IPI. A conta é simples: alguns cavalos a menos não comprometem a usabilidade do veículo, mas geram economia tributária substancial.

Casos de Sucesso e Próximos Passos

  • Caoa Chery: Modelos como Tiggo 7 e Tiggo 8 tiveram a potência de seus motores 1.5 turbo e 1.6 turbo reduzida. O 1.5 foi de 150 cv para 143 cv, e o 1.6 de 187 cv para 180 cv, resultando em uma economia de 0,75 pp e 1,5 pp no IPI, respectivamente.
  • Stellantis: Pioneira no movimento, a Stellantis (Fiat, Jeep) reduziu o motor T270 1.3 turbo de 185 cv para 176 cv, economizando 1,5 pp de IPI em modelos como Jeep Renegade, Compass, Commander, Fiat Toro e Fastback. Uma nova redução para o motor T200 1.0 turbo (de 130 cv para 116 cv) está a caminho, zerando a adição de IPI para futuros lançamentos como o Jeep Avenger e o novo Fiat Argo.
  • Chevrolet: Modelos como Onix, Onix Plus e Tracker com motor 1.0 turbo tiveram a potência ajustada de 121 cv para 115 cv, eliminando o acréscimo de 0,75 pp de IPI.
  • Volkswagen: O motor 1.0 turbo TSI de 116 cv (170 TSI) já chegou para Polo, Virtus e Tera, permitindo que a marca se enquadre na faixa sem adição de IPI, ao contrário do motor 200 TSI.
  • Hyundai: O Creta 1.6 turbo caiu de 193 cv para 176 cv, reduzindo o IPI de 3 pp para 1,5 pp. O futuro Hyundai i20 e outros modelos com motor 1.0 TGDi também devem ter sua potência reduzida para se beneficiar.
  • Renault: O aguardado Kardian terá seu motor 1.0 TCe turbo flex reduzido de 125 cv para cerca de 116 cv, visando evitar o IPI extra.

O Impacto para o Motorista Brasileiro

Para o consumidor, essa mudança pode significar carros com uma ligeira perda de potência nominal, mas sem afetar significativamente a usabilidade no dia a dia. A engenharia das montadoras busca o ponto de equilíbrio onde a redução é suficiente para gerar economia tributária sem comprometer a experiência de condução. No longo prazo, a estratégia visa conter a escalada de preços ou, no mínimo, permitir que as montadoras mantenham suas margens, impactando indiretamente o valor final dos veículos no mercado. A transparência sobre essas recalibrações é fundamental para que o motorista faça escolhas informadas, entendendo que a performance pode ser sutilmente ajustada em prol de uma maior competitividade de custos.

IPI Verde: Montadoras Reduzem Potência de Carros no Brasil
Reduzir a carga tributária paga em cada veículo produzido no Brasil é um desejo de todas as fabricantes instaladas por aqui. Em busca dessa meta, as montadoras estão diminuindo a potência dos motores que equipam seus carros nacionais flex. Com isso, estão conseguindo reduzir o nível de tributação do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI).
O movimento se tornou rotineiro na indústria automotiva nacional desde o anúncio da nova tabela de IPI, que ficou conhecido como IPI Verde, dentro do programa industrial Mobilidade Verde e Inovação (Mover), divulgada em julho do ano passado. A base de cálculo do IPI para automóveis no Brasil parte de 6,3%, porcentual que pode subir ou cair, dependendo da motorização, nível de conteúdo local e emissões, entre outros itens.
Antes, a percentual de tributação do IPI era definido pela capacidade cúbica do motor, o que levou muitas montadoras a vender carros compactos de maior valor agregado, como SUVs, e até alguns modelos médios com motorização 1.0 turbo flex. Agora, diante dessa nova lógica, a potência máxima do motor passou a ser mais importante.
Com essa tabela em mãos, começou o trabalho de engenharia das fabricantes para recalibrar os motores usados no Brasil. A conta é a seguinte: tirar alguns cavalos de potência do motor não afeta a usabilidade do veículo, mas ajuda cada fabricante a reduzir os gastos tributários e, assim, aumentar suas margens de rentabilidade ou arrefecer as pressões por aumento de preços.
Confira abaixo na tabela quantos pontos percentuais adicionais de IPI os veículos com motor flex precisam pagar, a depender da potência:
Adição de pontos porcentuais de IPI por faixa de potência de motores flex
O movimento mais recente foi divulgado pela Autoesporte, com exclusividade, e envolve os modelos Tiggo 7 Sport, Tiggo 7 Pro e Tiggo 8 da Caoa Chery. O SUV compacto pode ser equipado com motores 1.5 turbo e 1.6 turbo, enquanto o SUV médio maior usa só a segunda opção nas versões a combustão. Com a redução, a motorização 1.5 foi de 150 cv para 143 cv (que são, na verdade, 142,8 cv arredondados) Já o motor 1.6 passou de 187 cv para 180 cv (ou 179,5 cv arredondados). Nos dois casos, o torque foi mantido.
Caoa Chery Tiggo 7 Sport faz parte da grande lista de modelos que perderam potência
Renato Durães/Autoesporte
Segundo a nova tabela de cálculo, carros com potência entre 115,7 cv e 142,8 cv recebem penalização e pagam 0,75 ponto percentual a mais de IPI. Já modelos que têm entre 142,9 cv e 179,5 cv têm aumento de 1,5 pp no imposto. Passando de 179,6 cv até 224,4 cv), há um novo aumento para 3 pp.
No caso dos Caoa Chery, a redução de potência fez com que os modelos equipados com o motor 1.5 turbo tivessem uma redução de 0,75 pp no IPI, enquanto a do 1.6 turbo representou uma economia de 1,5 pp. Com as mudanças, os dois motores ocupam o teto de suas respectivas faixas, mas sempre um degrau abaixo do que antes da mudança.
Nova versão do Renault Kardian perderá cerca de 10 cv de potência
Divulgação
O Renault Kardian é mais um modelo que passará por uma redução de potência, segundo apurações exclusivas da Autoesporte. O motor 1.0 TCe turbo flex de três cilindros, 12 válvulas e injeção direta rende 125 cv e 22,4 kgfm de torque. Esse motor perderá cerca de 10 cv para se enquadrar no programa Carro Sustentável, que tem limite de 115,6 cv para não gerar IPI extra.
Com a menor potência, o Renault Kardian nesta versão mais barata não terá nenhum ponto porcentual adicionado ao cálculo do seu IPI, enquanto as demais configurações têm a adição de 0,75 ponto percentual.
Muitas marcas já se movimentaram
A Stellantis foi a primeira a iniciar o processo de redução de potência dos motores, em janeiro de 2025, antes mesmo da divulgação da nova tabela do IPI e do Programa Mover. Na época, a informação divulgada oficialmente era que a diminuição era necessária para atender as novas normas de emissões do Proconve L8.
Fiat Toro foi um dos primeiros modelos da Stellantis a passar pela redução de potência
André Schaun/Autoesporte
O motor T270 1.3 turbo que entregava 185 cv de potência com etanol caiu para 176 cv. Com a alteração, a Stellantis desceu um degrau na escala de tributação e, assim, modelos equipados com esse motor passaram a ter adição de 1,5 pp na conta, em vez de 3 pp. A mudança beneficiou a fabricante em diversos modelos: Jeep Renegade, Compass e Commander, além dos Fiat Toro e Fastback.
Agora, a Stellantis se prepara para uma nova redução de potência, dessa vez para o motor T200 1.0 turbo, que sairá de 125 cv com gasolina e 130 cv com etanol, para 116 cv, mantendo o torque de 20,4 kgfm. Esse número provavelmente foi arredondado e, na ficha oficial, deve ficar no limite dos 115,6 cv, descendo uma faixa de tributação: não gerará nenhuma adição de IPI aos modelos equipados com essa motorização, contra os 0,75 pp que entram na somatória atual.
Jeep Avenger será o primeiro modelo da Stellantis com motor T200 recalibrado
Divulgação/Jeep
O motor T200 já é usado pelos Fiat Pulse, Strada e Fastback, Peugeot 208 e 2008 e Citroën C3, Aircross e Basalt. Mas, a estreia do T200 recalibrado será em outra marca da Stellantis, a Jeep, que lançará o SUV Avenger ainda esse ano com a novidade. Depois, ele estará presente na nova geração do Fiat Argo, e posteriormente deve avançar para os outros modelos citados.
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A Chevrolet também não perdeu tempo e, em julho do ano passado, recalibrou o seu motor 1.0 turbo de 121 cv para 115 cv, enquanto o torque segue de até 16,8 kgfm na calibração de Onix, Onix Plus, sem injeção direta, ou 18,9 kgfm no Tracker e no recém lançado Sonic, ambos com injeção direta. A estratégia, mesma da Stellantis, permitiu que todos esses modelos não tenham adição de 0,75 pp de IPI.
Chevrolet Sonic RS é equipado com motor 1.0 recalibrado pela marca
Renato Durães/Autoesporte
No começo de 2023, a Volkswagen anunciou a chegada do motor 1.0 turbo TSI de 116 cv (número arredondado) para os modelos Polo e Virtus, que também foi adotado no ano passado pelo Tera. Nesse caso, a montadora ainda não sabia que iria se beneficiar da mudança no cálculo do IPI, mas a decisão acabou dando certo.
Atualmente, usando esse motor em algumas versões dos três modelos no lugar do 200 TSI de 128 cv, a fabricante também se enquadra na faixa sem adição de pontos porcentuais, enquanto modelos equipados com o motor 200 TSI, como Nivus e T-Cross, pagam 0,75 pp a mais de imposto.
Volkswagen Tera já chegou ao mercado com o motor 170 TSI para pagar menos imposto do que o 200 TSI
Autoesporte/Murilo Goes
A Hyundai também aproveitou a onda e recalibrou o motro TGDi 1.6 turbo do Creta, que caiu de 193 cv para 176 cv na linha 2027, apresentada no começo do ano com motorização flex em vez de só a gasolina. Essa foi a maior redução entre os modelos que apuramos e, com esse movimento, o modelo deixou de ter acréscimo de 3 pp e desceu para a faixa de 1,5 pp.
Hyundai Creta com motor 1.6 turbo flex perdeu potência na linha 2027
Divulgação/Hyundai
O novo Hyundai i20, SUV compacto que será lançado e produzido pela marca no Brasil até o final do ano, poderá estrear o motor TGDi 1.0 turbo recalibrado em suas versões mais caras. Atualmente, são 120 cv de potência e 17,5 kgfm, com adição de 0,75 pp no IPI. Se a marca reduzir 5 cv, para 115 cv, escapará de qualquer adição. Dessa forma, faz muito sentido esperar tal mudança da Hyundai, que deverá usar o motor recalibrado em versões do HB20 e, talvez, até do Creta.
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Veja abaixo a lista completa de modelos que ficaram menos potentes no Brasil para ter redução da alíquota de IPI e outros que devem seguir o mesmo caminho:
Caoa Chery Tiggo 7 (150 cv para 143 cv)
Caoa Chery Tiggo 8 (187 cv para 180 cv)
Chevrolet Onix 1.0 Turbo (121 cv para 115 cv)
Chevrolet Onix Plus 1.0 Turbo (121 cv para 115 cv)
Chevrolet Tracker 1.0 Turbo (121 cv para 115 cv)
Chevrolet Sonic (lançado já com 115 cv)
Fiat Toro T270 (185 cv para 176 cv)
Fiat Fastback Limited Edition (185 cv para 176 cv)
Hyundai Creta 1.6 TGDi (193 cv para 176 cv)
Jeep Renegade T270 (185 cv para 176 cv)
Jeep Compass T270 (185 cv para 176 cv)
Jeep Commander T270 (185 cv para 176 cv)
Volkswagen Tera TSI (lançado com 116 cv)
Volkswagen Polo TSI (128 cv para 116 cv)
Volkswagen Virtus TSI (128 cv para 116 cv)
Carros que ainda receberão motores com menor potência
Citroën C3 T200 (130 cv para 116 cv)
Citroën Aircross (130 cv para 116 cv)
Citroën Basalt (130 cv para 116 cv)
Novo Fiat Argo T200 (lançado já com 116 cv)
Fiat Strada T200 (130 cv para 116 cv)
Fiat Fastback T200 (130 cv para 116 cv)
Jeep Avenger (lançado já com 116 cv)
Hyundai i20 (lançado já com 116 cv)
Hyundai HB20 1.0 TGDi (120 cv para 115 cv)
Hyundai Creta 1.0 TGDi (120 cv para 115 cv)
Renault Kardian (125 cv para 116 cv)
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Fonte: Auto Esporte

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