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Mercado

Nissan: Clientes Esperam Meses por Peças no Brasil

07 de abril de 2026
6 min de leitura
Nissan: Clientes Esperam Meses por Peças no Brasil

Crise no Pós-Venda Nissan: Clientes à Espera de Peças

Um dos grandes trunfos da Nissan no Brasil, seu serviço de pós-venda, tem sido abalado nos últimos meses por um problema técnico que transformou o atendimento em um cenário caótico. Dezenas de proprietários em todo o país relatam longas esperas, muitas vezes de meses, por peças de reposição essenciais para seus veículos. A situação tem gerado frustração, com carros parados em oficinas e consumidores adotando medidas extremas, como processos judiciais e cobranças diretas a executivos da montadora nas redes sociais.

Relatos de Clientes Indignados

A reportagem destaca casos emblemáticos que ilustram a gravidade do problema. Carlos Benvenutti, proprietário de um Nissan Sentra acidentado em outubro de 2025, vive uma odisseia. Após o cumprimento dos trâmites da seguradora, ele enfrentou sucessivos atrasos, com peças enviadas erradas e prazos não cumpridos, forçando-o a buscar e localizar as peças corretas por conta própria. Seu carro, essencial para as viagens entre Santos e São Paulo para cuidar da filha com necessidades especiais, permanece parado há meses.

Situação similar é vivida pela psicóloga Maria Luiza Paiva, de Natal (RN), cujo Nissan Kicks colidiu em outubro de 2025. Desde então, ela aguarda a porta do motorista, peça crucial para o reparo. As informações da Nissan foram confusas e contraditórias, com promessas de envio e confirmações de que as peças, na verdade, não haviam chegado. Sentindo-se "feita de palhaça", Maria Luiza prepara uma ação judicial, caminho que tem se tornado comum entre os afetados. Um advogado nos EUA revelou estar movendo ações que envolvem até a sede global da Nissan.

A Origem do Problema: Falha de Sistema e Novo Centro de Peças

A causa por trás da lentidão e das informações desencontradas parece ser uma falha no sistema interno da Nissan, responsável por gerenciar estoques e a logística de peças em todo o Brasil. Clientes como Carlos, Maria Luiza e Tais Silveira foram informados por funcionários sobre essa pane sistêmica. Coincidentemente, o problema surgiu na mesma época em que a Nissan inaugurou seu novo Centro de Armazenamento e Distribuição de Peças em Itatiaia (RJ), uma estrutura de 22 mil m² que prometia otimizar a agilidade no atendimento às concessionárias. Embora a empresa não confirme a ligação direta, fontes internas sugerem que a transição de galpão pode ter impactado a ocorrência da falha.

Posicionamento da Nissan e Compromisso com a Solução

A Nissan do Brasil reconheceu o problema em seu software e os transtornos causados. Em comunicado oficial, a montadora admitiu estar passando por um “período de transição de um sistema operacional interno essencial”, que visa maior eficiência futura, mas que “momentaneamente” gerou impactos pontuais na cadeia de peças de reposição. A empresa reforçou que seus times estão trabalhando com máxima prioridade para normalizar os prazos, minimizar os inconvenientes e reiterou seu compromisso com a transparência e a satisfação dos clientes. Motoristas aguardam que o "período de transição" termine logo e que o padrão de pós-venda elogiado da Nissan seja restabelecido.

Nissan: Clientes Esperam Meses por Peças no Brasil
Na hora de vender seus carros no Brasil, um dos principais trunfos da Nissan é o serviço de pós-venda: da decoração de concessionárias às propagandas, a montadora japonesa ostenta índices elevados de satisfação dos clientes, como gancho a novos interessados.
Nos últimos meses, entretanto, um problema técnico da marca tornou seu atendimento caótico. Isso porque há dezenas de relatos de proprietários que, por diferentes motivos, precisaram de peças de reposição para seus carros, mas estão há meses aguardando pelo serviço.
Em comum, os donos relatam orientações confusas dos atendentes, prazos que não são cumpridos e veículos parados nas oficinas desde o final de 2025. Na falta de uma solução, as saídas adotadas vão desde processos na Justiça à perturbação do CEO no LinkedIn.
Novo centro de peças da Nissan em Itatiaia (RJ)
Divulgação
Foi esta a medida tomada por Carlos Benvenutti. Cansado de esperar, o geólogo decidiu cobrar o presidente da Nissan do Brasil, Gonzalo Ibarzabal, direto no perfil do executivo na rede social — em atitude repetida por vários outros proprietários e até seus advogados.
Labirinto de problemas
Carlos relatou para Autoesporte que adquiriu um Nissan Sentra no ano passado. Em outubro, o sedã se envolveu em um acidente, tornando necessária a troca de peças da dianteira. Os procedimentos da seguradora foram cumpridos sem sustos e o prazo inicial, de 30 dias, se mostrou aceitável, ainda que maior do que o ideal.
O problema é que a previsão não se cumpriu: no início de dezembro, alguns itens já haviam chegado, mas o farol, por exemplo, seguia pendente. Pouco tempo depois, a oficina entrou em recesso de final de ano, e os trabalhos só foram retomados em 9 de janeiro.
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“Nesse dia, a oficina me deu uma estimativa de 10 dias para concluir o reparo. Perto da data estimada, entrei em contato e me disseram que tinham enviado um farol errado”, conta.
Nissan Sentra de cliente está parado desde o final de 2025
Acervo Pessoal
Morador de Santos (SP), Carlos divide a guarda da filha, portadora de necessidades especiais, com a mãe dela, de São Paulo (SP). Por isso, tinha pressa para consertar o Sentra e dar fim ao improviso que fez para ver a menina: tomar Uber ou ônibus para a capital semanalmente.
“No fim, eu mesmo localizei um farol correto, em uma concessionária de Florianópolis (SC). A seguradora fez a compra e, dez dias depois, a peça chegou”, relata. “A oficina retomou o serviço e deu o novo prazo para 20 de fevereiro”.
No dia marcado, porém, mais um imprevisto: “logo depois que liguei para confirmar a entrega do carro, a concessionária me manda mensagem dizendo que o para-choque substituto também estava errado”.
Mais uma vez, o proprietário precisou ajudar na busca pela peça correta, encontrada em uma loja paulistana da Mooca. O prazo de 15 dias úteis para o conserto do para-choque ainda vigorava na data da entrevista, mas Carlos relatava diferentes aborrecimentos com o atendimento da marca, em suas tentativas de atualizar o status do serviço.
“Me sinto feita de palhaça”
Novo centro de peças da Nissan em Itatiaia (RJ)
Divulgação
Dona de um Nissan Kicks, a psicóloga Maria Luiza Paiva vive a mesma situação: em outubro de 2025, seu SUV colidiu com um caminhão-cegonha. Na semana seguinte, a vistoria do seguro estava feita e o reparo estava autorizado para o dia 5 de novembro — o que não ocorreu.
“Desde então, eu contacto o SAC da Nissan semanalmente”, relatou em março, enquanto ainda aguardava a chegada do pedido. “Eles disseram, em dezembro, que as peças haviam sido faturadas. Em janeiro, falaram que faltava apenas uma peça — a porta do motorista, maior de todas as danificadas. Em fevereiro, me informaram que justamente a porta havia sido enviada errada”.
Maria Luiza diz ter sido informada, em 27 de fevereiro, que as peças finalmente chegaram à concessionária de Natal (RN): “No dia seguinte, fui lá conferir pessoalmente; mas as peças sequer tinham sido enviadas”, conta.
Em meio a tantos rodeios, a proprietária se diz feita de “palhaça”, e prepara um processo judicial. “Enquanto isso, sigo aguardando a reposição das peças”, desabafa.
A via judicial, constatou Autoesporte, é uma opção cada vez mais comum. À reportagem, um advogado brasileiro radicado nos Estados Unidos revelou que está movendo uma ação na Justiça em nome de diferentes clientes afetados pelo problema. Sob anonimato, o advogado relatou que a medida envolve até a sede global da Nissan, no Japão.
Pane no sistema
Além dos atrasos e confusões, os relatos dos proprietários têm uma ‘fofoca’ em comum: a falha no sistema interno da Nissan, que gerencia estoques e logística de peças de todo o Brasil.
Segundo Carlos, Maria Luiza e Tais Silveira — funcionária pública de Osasco (SP) e dona de um Kicks que, desde o ano passado, aguarda pelas peças —, em diferentes momentos do atendimento tal falha foi justificada pelos funcionários aos clientes.
Coincidentemente, o problema começou na mesma época em que a Nissan inaugurou seu novo Centro de Armazenamento e Distribuição de Peças, em Itatiaia (RJ), próximo à fábrica de Resende (RJ).
A estrutura de 22 mil m² prometia “uma agilidade sem precedentes no atendimento às necessidades das concessionárias”, segundo Rodolfo Possuelo, diretor de Pós-Vendas da Nissan no continente. Isso viria graças a mais espaço, novas docas e uma planta otimizada.
Fontes internas sugeriram que a mudança de galpão impactou, ainda que indiretamente, na ocorrência da falha no sistema. A reportagem não pôde confirmar a informação.
A Nissan, entretanto, admitiu o problema em seu software à Autoesporte, assim como os transtornos causados aos proprietários. A marca afirmou que é um “período de transição”, com dedicação máxima para a solução mais breve possível.
“Nos últimos meses, a Nissan está passando por um período de transição de um sistema operacional interno essencial para garantir ainda mais eficiência no seu atendimento no futuro. Essa implementação tem gerado, momentaneamente, impactos pontuais em nossa cadeia de peças de reposição”, disse a montadora em seu comunicado.
“Nossos times estão trabalhando com a máxima prioridade para normalizar os prazos e minimizar os inconvenientes causados a alguns clientes. Reforçamos nosso compromisso com a transparência com nossos clientes e lamentamos qualquer imprevisto gerado para a realização de alguns serviços”, completou a nota.
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Fonte: Auto Esporte

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