Voltar para Notícias
Tecnologia

Onix Eco: Como Chevrolet Fez Carro a Etanol Rápido e Barato

06 de julho de 2026
7 min de leitura
Onix Eco: Como Chevrolet Fez Carro a Etanol Rápido e Barato

Onix Eco: A Estratégia Inovadora da Chevrolet

O Chevrolet Onix Eco, versão exclusiva a etanol, chegou ao mercado por R$ 103.190 (e até menos em concessionárias), tornando-se um dos carros automáticos mais acessíveis. Sua chegada foi impulsionada pelo Programa Carro Sustentável e marcou uma abordagem estratégica notável da General Motors. Em vez de desenvolver um novo motor dedicado, a GM reaproveitou o conhecido 1.0 turbo flex de três cilindros da família CSS Prime, concentrando o investimento na calibração da central eletrônica. Essa tática permitiu acelerar o desenvolvimento, reduzir custos e introduzir o modelo no mercado em tempo recorde. O propulsor mantém as especificações do motor flex abastecido com etanol: 121 cv e 18,9 kgfm de torque, com o mesmo câmbio automático de seis marchas e taxa de compressão de 10,5:1.

O Que Muda (e o Que Não Muda) na Prática

Curiosamente, o Onix Eco não apresenta alterações de desempenho ou consumo em comparação com as versões flex operando com etanol, mantendo 10,9 km/l na cidade e 15,3 km/l na estrada. Essa similaridade ocorre porque a GM optou por uma adaptação mínima, priorizando a agilidade e o custo-benefício. Especialistas como Rogerio Gonçalves da Petrobras apontam que um motor exclusivo a etanol, projetado do zero, poderia explorar melhor a alta octanagem do biocombustível com taxas de compressão elevadas (como nos anos 80 e 90), resultando em maiores ganhos de potência, torque e eficiência. No entanto, a Chevrolet explicou que elevar a taxa de compressão no Onix Eco implicaria custos e tempo de desenvolvimento adicionais sem ganhos práticos relevantes para o consumidor final, optando por um equilíbrio entre performance, custo de produção e conformidade regulatória.

Impacto Regulatório e Benefícios para o Consumidor

A decisão da Chevrolet não foi apenas sobre custos, mas também para atender aos requisitos do Proconve L8, em vigor desde 2025. Este programa estabelece limites corporativos de emissões, e um modelo exclusivo a etanol contribui significativamente para reduzir a média de emissões da frota da montadora, ajudando a compensar veículos maiores. Além disso, o Onix Eco se beneficia de uma redução de 0,5% no IPI para veículos movidos exclusivamente a etanol, tornando seu preço mais competitivo e alinhado aos incentivos fiscais do Programa Carro Sustentável.

O Dilema do Combustível Único

Apesar de a mecânica flex já oferecer proteção contra a corrosão do etanol, o Onix Eco possui um mapa eletrônico exclusivo para o biocombustível. Abastecer com gasolina pode levar a dificuldades de partida, funcionamento irregular, perda de desempenho e aumento do consumo, embora o sensor de combustível alerte o motorista. Para o consumidor comum, a exclusividade do etanol pode ser um ponto de reflexão, pois retira a "liberdade de escolha" de combustível em função do preço, uma preferência comum no Brasil. No entanto, para grandes frotistas, a simplificação e os benefícios fiscais podem ser extremamente atraentes. A GM demonstra com o Onix Eco uma maneira inteligente de se adaptar às regulamentações e ao mercado, com um investimento mínimo.

Onix Eco: Como Chevrolet Fez Carro a Etanol Rápido e Barato
O Chevrolet Onix Eco chegou ao mercado como o carro automático mais barato do Brasil graças aos incentivos do Programa Carro Sustentável, por R$ 103.190. Mas a maior novidade pode ter acontecido nos bastidores da General Motors, que adotou uma estratégia que permitiu acelerar o desenvolvimento do modelo e reduzir investimentos. Isso porque, em vez de criar um novo motor dedicado ao etanol, a fabricante reaproveitou praticamente todo o conjunto mecânico do conhecido 1.0 turbo flex e concentrou as mudanças na calibração da central eletrônica.
Na prática, o propulsor utilizado pelo Onix Eco é o mesmo 1.0 turbo de três cilindros da família CSS Prime presente nas demais versões do hatch compacto. Ele, inclusive, mantém exatamente as mesmas especificações quando o motor flex é abastecido com etanol: são 121 cv de potência a 5.500 rpm e 18,9 kgfm de torque entre 2.000 e 4.500 rpm, sempre associado ao câmbio automático de seis marchas. Nem mesmo a taxa de compressão, de 10,5:1, foi alterada.
Chevrolet Onix Eco é versão exclusivamente movida a etanol
Divulgação
Além de manter os números de desempenho, o Onix Eco também não sofre qualquer alteração no consumo quando comparado com as versões flex. Ou seja, mantém os 10,9 km/l na cidade e 15,3 km/l na estrada com etanol.
Chevrolet Onix Eco: versão a etanol é encontrada por menos de R$ 100 mil
Veja os 10 carros automáticos mais baratos do Brasil em 2026
Proconve L8: nova lei de emissões muda, e muito, os carros brasileiros
A estratégia da GM permitiu reduzir custos, encurtar o tempo de desenvolvimento e colocar rapidamente o modelo no mercado. “O Onix ECO foi concebido para atender aos requisitos do Programa Carro Sustentável dentro do prazo de implementação e da janela de vigência do benefício, com o objetivo de entregar ao consumidor o máximo possível em termos práticos e fiscais”, comentou a fabricante ao ser procurada pela reportagem.
Chevrolet Onix Eco estreou na linha 2027 e pode ser encontrado em concessionárias por R$ 99.990
Reprodução/Automec Indaiatuba
A decisão chama atenção porque um motor desenvolvido exclusivamente para etanol normalmente seguiria outro caminho. Como o biocombustível possui elevada resistência à detonação — ou seja, maior octanagem —, ele permite trabalhar com taxas de compressão mais altas. De acordo com com Rogerio Gonçalves, líder em Inovação Energética e Transição Sustentável da Petrobras, quanto maior a taxa de compressão, maior tende a ser o aproveitamento da energia liberada na combustão. Ou seja, pode resultar, dependendo do projeto, ganhos de potência, torque e até redução no consumo de combustível.
"Se você adaptar o motor flex para operar somente com o etanol, vai aproveitar apenas parte do potencial do combustível. Por outro lado, fazer um motor novo permite explorar tudo, desde taxa de compressão, melhor aproveitamento do turbo, além de ter uma eficiência energética significativamente superior", comentou Gonçalves.
Foi exatamente esse conceito que marcou diversos motores nacionais movidos a etanol nas décadas de 1980 e 1990, que utilizam taxas próximas de 12:1 (bem maiores que propulsores a gasolina). No Onix Eco, porém, a GM optou por manter a relação de compressão em 10,5:1. Segundo a fabricante, esse valor representa um equilíbrio adequado entre desempenho, custo de produção e enquadramento regulatório.
+ Quer receber as principais notícias do setor automotivo pelo seu WhatsApp? Clique aqui e participe do Canal da Autoesporte
Chevrolet Onix Eco é equipado com o câmbio automático de seis marchas
Reprodução/Automec Paulínia
"Elevar ainda mais essa taxa seria tecnicamente possível, mas traria impactos adicionais de custo e tempo de desenvolvimento, sem ganhos práticos relevantes para o consumidor. Além disso, o aumento da taxa de compressão raramente é uma mudança isolada e demandaria investimentos que impactariam o custo final do produto", explicou a Chevrolet.
Estratégia da Chevrolet atende ao Proconve L8
A decisão da Chevrolet, de toda maneira, não está relacionada apenas ao custo do projeto. Além do enquadramento no Programa Carro Sustentável, o Onix Eco ajuda a montadora a cumprir as metas do Proconve L8, em vigor desde 2025.
A fase mais recente do programa estabelece limites corporativos para as emissões de NMOG + NOx. Em vez de avaliar cada veículo individualmente, a legislação considera a média das emissões de toda a gama vendida pela fabricante. Nesse cenário, um modelo abastecido exclusivamente com etanol contribui para reduzir essa média, ajudando a compensar modelos maiores ou mais potentes da gama, que naturalmente emitem mais.
Proconve L8 entrou em vigor em 2025 com novas regras de emissões
Reprodução
Hoje, o limite corporativo é de 50 mg/km para automóveis de passeio. No entanto, a partir de 2027, esse valor cairá para 40 mg/km. Em 2029, a exigência será ainda mais rígida, chegando a apenas 30 mg/km para veículos de passeio.
Outra questão é que os veículos movidos exclusivamente a etanol recebem redução de 0,5% no IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), o que também ajuda a tornar o preço final mais competitivo. Algo que também justifica o bom posicionamento do Onix Eco na linha da Chevrolet.
Initial plugin text
“Eu vejo esse movimento de produção de motores a etanol natural em função da política automotiva brasileira, para obter benefícios fiscais. Em um primeiro momento, vejo uma saída mais interessante para grandes frotistas. Isso porque o consumidor comum gosta de ter o poder de escolha, entre gasolina e etanol, em função do preço. Então, ao menos no começo, talvez tenha uma reação contrária do motorista particular em função disso”, completou Rogerio.
Chevrolet Onix Eco: o que mudou no motor?
Apesar de a mecânica permanecer praticamente inalterada, o Onix Eco recebeu um mapa eletrônico exclusivo para operar apenas com etanol. A nova calibração altera parâmetros como tempo de injeção, ponto de ignição, controle da pressão do turbocompressor e estratégias de gerenciamento do motor para extrair o melhor funcionamento possível utilizando somente o biocombustível.
Segundo a GM, o próprio conjunto mecânico do motor flex já tinha proteção suficiente contra corrosão provocada pelo etanol, dispensando alterações em componentes internos. Na prática, a fabricante concentrou o investimento no desenvolvimento do software de gerenciamento eletrônico. Isso significa que a linha de produção praticamente não precisou ser modificada, já que o novo modelo utiliza o mesmo conjunto mecânico já fabricado em larga escala.
Chevrolet Onix Eco recebeu poucas alterações em relação às outras versões do portfólio
Reprodução/Carrera Brasília
E se o motorista abastecer com gasolina?
Apesar da base mecânica ser a mesma do motor flex, o Onix Eco foi calibrado para funcionar com etanol, como já mencionado. A Chevrolet afirma que o abastecimento com gasolina pode provocar dificuldade de partida, funcionamento irregular do motor, perda de desempenho e aumento no consumo de combustível. “O sensor de combustível foi mantido como uma importante camada de proteção ao cliente, pois também permite identificar situações de abastecimento com combustível inadequado ou adulterado e informar o condutor no painel de instrumentos”, finalizou a marca.
De acordo com o consultor técnico e professor de mecânica, Pedro Luiz Scopino, usar gasolina não será necessariamente prejudicial, mas pode gerar algumas questões. “O carro vai funcionar, já que a diferença de um para o outro (motor) é muito pouca. Até mesmo porque o motor flex já usa uma taxa (de compressão) mais próxima do álcool e não da gasolina”.
Chevrolet Onix está disponível em nove versões no mercado brasileiro
Renato Durães/Autoesporte
No fim das contas, o Onix Eco mostra que a GM optou por um caminho diferente do normalmente esperado para um motor dedicado ao etanol. A estratégia permitiu colocar rapidamente o modelo nas concessionárias, aproveitar os incentivos fiscais e, ao mesmo tempo, se adequar ao Proconve L8. O resultado é um motor exclusivo para etanol que quase não difere mecanicamente da versão flex, mas que exigiu uma fração do investimento normalmente esperado para um projeto desse tipo.
Mais Lidas

Chevrolet Onix EcoOnix etanolProconve L8Programa Carro Sustentávelmotorização flexcarros automáticoseconomia de combustívelGMVisão Veicularvisaoveicular

Fonte: Auto Esporte

Ler artigo original

Leia também

VW E-Bike: Câmera de Ré e DNA GTi na Bicicleta ElétricaTecnologia
21 jul 20261 min

VW E-Bike: Câmera de Ré e DNA GTi na Bicicleta Elétrica

A Revolução da Mobilidade Urbana Pela Volkswagen A Volkswagen, conhecida por sua tradição no setor automotivo, está expandindo seus horizontes para a micromobilidade, apresentando uma bicicleta elétrica que promete redefinir a experiência de deslocamento urbano. Este lançamento não é apenas mais uma e-bike; é um reflexo da visão da montadora para um futuro onde a sustentabilidade e a tecnologia se unem em diversas formas de transporte. Para o motorista brasileiro, acostumado com a qualidade e inovação dos veículos VW, essa bicicleta elétrica representa uma alternativa interessante para enfrentar o trânsito das grandes cidades, reduzir a pegada de carbono e ainda desfrutar da liberdade de se mover com agilidade. É um convite a repensar a mobilidade diária, integrando soluções que complementam o uso do carro, especialmente em trajetos curtos ou para acesso a zonas com restrição veicular. Tecnologia Automotiva Elevada a Duas Rodas O grande diferencial desta bicicleta elétrica da Volkswagen reside na incorporação de tecnologias tipicamente encontradas em carros modernos, um apelo direto ao público familiarizado com as inovações automotivas. Um dos destaques é a câmera de ré, um recurso que eleva significativamente a segurança do ciclista, oferecendo uma visão clara da retaguarda e auxiliando na prevenção de acidentes, especialmente em vias movimentadas ou durante manobras. Essa funcionalidade, comum em SUVs e sedans, agora chega para proteger quem pedala. Além disso, a integração de sistemas eletrônicos avançados e talvez conectividade com smartphones pode oferecer navegação otimizada, monitoramento de desempenho e até mesmo funcionalidades antirroubo. Essa fusão de segurança e inteligência coloca a e-bike VW em um patamar diferenciado no mercado. Segurança e Conectividade no Ciclo Urbano A presença da câmera de ré não é meramente um luxo; é um componente vital para a segurança em um ambiente urbano cada vez mais desafiador. Para o ciclista brasileiro, que muitas vezes divide espaço com veículos maiores, ter uma percepção visual ampliada do que acontece atrás é um divisor de águas. Imagine a tranquilidade de mudar de faixa ou parar em um semáforo sabendo exatamente o trânsito ao redor. Essa preocupação com a segurança, aliada à possível integração com aplicativos que oferecem rastreamento e dados de percurso, posiciona a bicicleta elétrica da Volkswagen como uma opção inteligente para quem busca não apenas um meio de transporte, mas uma solução completa de mobilidade. O DNA Esportivo do Golf GTi em Duas Rodas Além da tecnologia, a bicicleta elétrica da Volkswagen também se destaca pelo seu design, que presta homenagem a um dos ícones esportivos da marca: o Golf GTi. Detalhes estéticos que remetem ao lendário hatch, como cores específicas, acabamentos e talvez até elementos gráficos, conferem à bicicleta um caráter esportivo e exclusivo. Para os entusiastas de carros e, em particular, os fãs do GTi, essa e-bike não é apenas um meio de transporte, mas um item que reflete paixão por design e performance. Essa abordagem de design não só a diferencia visualmente no mercado de bicicletas elétricas, mas também reforça a identidade da marca, criando uma conexão emocional com o consumidor que valoriza a estética e a herança automotiva da Volkswagen. É a performance e o estilo do GTi, agora acessíveis em uma modalidade mais sustentável.

Leia mais

Fonte: Quatro Rodas

Fiat Argo X Chega ao Brasil: Convive com Antigo e...Lancamentos
21 jul 20264 min

Fiat Argo X Chega ao Brasil: Convive com Antigo e...

Fiat Argo X: A Nova Estratégia da Marca e a Convivência de Gerações A Fiat anunciou uma novidade estratégica para o mercado brasileiro: o lançamento do Fiat Argo X, que não substituirá a atual geração do Argo, mas sim conviverá com ela. Ambos os modelos compartilharão a linha de montagem em Betim (MG) e o espaço nas concessionárias a partir do final deste ano. O Argo X, totalmente renovado, é baseado no Grande Panda europeu e marca o início de uma nova família de veículos compactos da Fiat no país. Segundo Herlander Zola, presidente da Stellantis na América do Sul, a geração atual do Argo permanecerá em linha "pelo tempo que o mercado desejar", replicando uma tática já vista com sucesso em outros modelos da marca. Um Olhar Histórico: A Estratégia da Longevidade Essa abordagem de coexistência de gerações não é inédita para a Fiat. Casos notáveis incluem o Uno, cuja primeira geração de 1984 continuou à venda mesmo após o lançamento do modelo renovado em 2010, e o Palio, que, após diversas atualizações desde 1996, manteve-se no mercado mesmo com a chegada do novo modelo em 2011. Essa história de sucesso reforça a confiança da Fiat na permanência do Argo atual como uma opção de entrada, com versões mais acessíveis e pacotes de equipamentos simplificados. O Futuro do Mobi e o Desafio da Canibalização A manutenção da geração atual do Argo, posicionada para ser uma opção de entrada, levanta questionamentos importantes sobre o Fiat Mobi. Se o Argo passará a ocupar o nicho de acesso, onde o Mobi se encaixaria? A possibilidade de "canibalização" – onde um modelo compete e rouba vendas do outro – é real. Contudo, a Fiat ainda não sinalizou a saída de linha do Mobi, indicando que, por enquanto, ele permanece no portfólio. A estratégia da Stellantis será crucial para evitar a concorrência interna excessiva e manter a relevância de ambos os modelos no mercado. O Que Esperar do Novo Fiat Argo X e da Família de Compactos O Fiat Argo X virá com um leque variado de motorizações: 1.0 aspirado nas versões de entrada, 1.3 aspirado nas intermediárias (com opções manual ou CVT) e um 1.0 turbo para os pacotes mais equipados. A versão turbo terá uma potência ajustada para 116 cv (de 130 cv) para se beneficiar de incentivos de IPI, mantendo o torque de 20,4 kgfm. Suas dimensões estimadas são 3,99m de comprimento, 1,76m de largura, 1,57m de altura e 2,54m de entre-eixos. Expansão da Linha Fiat e o Investimento Bilionário A produção do Argo X é parte do investimento de R$ 14 bilhões da Fiat na fábrica de Betim até 2030. Este modelo será a base para uma nova família de compactos, que incluirá as próximas gerações de Strada, Pulse, Fastback e um inédito SUV de sete lugares. A Stellantis planeja um lançamento anual de um carro novo no Brasil até 2030, renovando significativamente seu catálogo. Além disso, R$ 350 bilhões serão investidos no desenvolvimento de novas picapes, incluindo a próxima geração da Toro e, possivelmente, da Titano, consolidando a liderança da Fiat no mercado brasileiro, onde já celebrou 50 anos de história e mais de 18 milhões de veículos produzidos.

Leia mais

Fonte: Auto Esporte

DNA de Marcas: Onde a Individualidade Automotiva Resiste?Mercado
20 jul 20261 min

DNA de Marcas: Onde a Individualidade Automotiva Resiste?

A Homogeneização da Indústria Automotiva Global A indústria automobilística contemporânea vive um paradoxo fascinante: enquanto a evolução tecnológica e a busca incessante por ganhos de escala impulsionam o setor, há uma crescente percepção de que os veículos, independentemente da marca, estão se tornando cada vez mais parecidos. Essa homogeneização é um reflexo direto da adoção de plataformas modulares e globais, otimização de custos e a consolidação de fornecedores de componentes. Carros de diferentes montadoras, por vezes, compartilham motores, transmissões, sistemas de infotainment e até mesmo elementos de design estrutural. Para o consumidor brasileiro, isso significa que a variedade aparente nas concessionárias pode mascarar uma similaridade fundamental por baixo da lataria. A eficiência na produção e a redução de custos, embora benéficas para o preço final e a rentabilidade das empresas, acabam diluindo o que antes era considerado o "DNA" exclusivo de cada marca. Plataformas Compartilhadas e Seus Efeitos A prática de desenvolver plataformas que servem de base para múltiplos modelos e marcas é uma das maiores responsáveis por essa uniformização. Ela permite às montadoras economizar bilhões em pesquisa e desenvolvimento, além de agilizar o lançamento de novos produtos. No entanto, o resultado é que muitos carros oferecem experiências de direção, níveis de conforto e interfaces de usuário surpreendentemente semelhantes, obscurecendo as nuances que tradicionalmente diferenciavam, por exemplo, um carro alemão de um japonês ou um sul-coreano. A identidade visual externa ainda pode variar, mas a "alma" mecânica e tecnológica tende a convergir. O Que Resta do "DNA" das Marcas para o Motorista Brasileiro? Diante dessa realidade, a pergunta que se impõe é: o que ainda define o "DNA" de uma marca no olhar do motorista brasileiro? Não se trata apenas de design exterior, mas da essência que cada montadora imprime em seus produtos. Antigamente, uma marca era sinônimo de um conjunto específico de características: a robustez de um utilitário, o desempenho esportivo, o luxo e a sofisticação, ou a confiabilidade inquestionável. Hoje, com a convergência tecnológica, a diferenciação reside em sutilezas, como a calibração da suspensão, a resposta da direção, a qualidade percebida dos materiais internos e, cada vez mais, a experiência de software e conectividade. A Busca pela Individualidade em um Mercado Saturado Para o consumidor nacional, a escolha de um carro pode ir além das especificações técnicas. Ela envolve a reputação da marca no pós-venda, a rede de concessionárias, o valor de revenda e até mesmo o status social associado. Marcas que conseguem manter uma identidade forte, mesmo em meio à uniformização, fazem isso através de detalhes específicos de acabamento, pacotes de equipamentos diferenciados, sistemas de segurança proprietários ou uma filosofia de design que se destaca. A lealdade à marca, antes um pilar da indústria, é constantemente testada pela oferta de produtos com atributos tão semelhantes. A Diferenciação Imperativa e o Futuro da Identidade Veicular Apesar da tendência à homogeneização, o mercado automotivo ainda exige diferenciação, especialmente em segmentos onde a exclusividade é um fator de compra decisivo. Carros premium, esportivos ou de nicho precisam ir além do básico, oferecendo tecnologias de ponta, materiais exclusivos e uma experiência de condução verdadeiramente única. Para as marcas que operam em segmentos de volume, o desafio é criar valor percebido e uma identidade que ressoe com o consumidor, mesmo com as restrições impostas pela produção em larga escala. Redefinindo o Valor da Marca na Era Digital O futuro do "DNA" das marcas pode não estar apenas na mecânica, mas na interface digital, nos serviços conectados e na personalização oferecida. A capacidade de um carro "aprender" os hábitos do motorista, oferecer atualizações over-the-air ou integrar-se perfeitamente ao ecossistema digital do usuário pode se tornar o novo diferencial competitivo. Marcas que conseguirem redefinir sua identidade em torno desses pilares, mantendo um elo com sua herança, serão as que melhor resistirão à maré da uniformidade, garantindo que, de perto, os carros continuem a exibir uma personalidade que vai além da aparência.

Leia mais

Fonte: Quatro Rodas

Seguro de Carro: Apenas 29% da Frota Brasileira Está...Mercado
20 jul 20266 min

Seguro de Carro: Apenas 29% da Frota Brasileira Está...

O Cenário Alarmente do Seguro Automotivo no Brasil Uma pesquisa inédita da Confederação Nacional das Seguradoras (CNseg) revela que a vasta maioria dos veículos brasileiros, cerca de 71% da frota, circula sem qualquer tipo de proteção. Dos 63,3 milhões de automóveis no país, aproximadamente 44 milhões rodam desprotegidos contra roubo, furto, colisão e outros imprevistos. Mesmo com o mercado de seguro automotivo tendo quase dobrado de tamanho na última década, atingindo uma arrecadação de R$ 61,6 bilhões, a cobertura ainda se mantém estável em apenas 29%, indicando que a proteção veicular é percebida como um luxo ou um custo secundário por grande parte da população. O Perfil do Segurado Brasileiro Classe C Lidera a Contratação Contrariando a percepção comum, a classe C, com renda mensal entre R$ 5.648 e R$ 14.120, é a principal consumidora de seguro automóvel no Brasil, representando 41% dos segurados. Este fenômeno, segundo Alexandre Leal da CNseg, reflete tanto o crescimento do poder de compra quanto a mudança na forma como esses consumidores enxergam o seguro, incluindo-o no planejamento de compra do veículo. Na sequência, aparecem as classes B (24%), D (23%), E (7%) e A (5%). Idade e Valor do Veículo O estudo aponta que pessoas em idade economicamente ativa são os principais contratantes: 29% dos segurados têm entre 36 e 45 anos, e 26% entre 46 e 55 anos. Além disso, a proteção veicular não se restringe a carros de luxo. Cerca de 46% dos veículos segurados custam até R$ 70 mil, e outros 27% estão na faixa de R$ 71 mil a R$ 100 mil, evidenciando a popularização do seguro entre proprietários de carros de entrada e intermediários. Distribuição Regional A distribuição de apólices acompanha a concentração da frota nacional. O Sudeste lidera com 53% dos veículos segurados, seguido pelo Sul (16%), Centro-Oeste (15%), Nordeste (12%) e Norte (4%), que possui a menor taxa de carros assegurados. Desafios e Oportunidades de Crescimento Alexandre Leal destaca que o custo da apólice (geralmente entre 4% e 8% do valor do veículo), a renda limitada e a percepção de que o seguro é um gasto secundário são os principais fatores para a baixa penetração. Muitos proprietários desconhecem as modalidades de cobertura ou não veem o seguro como uma ferramenta de proteção patrimonial. Apesar desses desafios, o mercado de seguros automotivos projeta um crescimento de 7,8% para 2026, impulsionado pela recuperação das vendas de veículos e pela renovação da frota. O enorme potencial reside nos 44 milhões de veículos desprotegidos, especialmente entre a classe média, que já demonstra ser um público estratégico.

Leia mais

Fonte: Auto Esporte