MercadoIPI Verde: Montadoras Reduzem Potência de Carros no Brasil
IPI Verde: A Nova Estratégia das Montadoras no Brasil A indústria automotiva brasileira está passando por uma significativa reconfiguração impulsionada pela busca incessante pela redução da carga tributária. Desde a implementação da nova tabela do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI), conhecida como IPI Verde, parte do programa Mobilidade Verde e Inovação (Mover), as fabricantes de veículos têm adotado uma estratégia clara: diminuir a potência dos motores flex de seus carros nacionais. Este movimento visa otimizar os custos de produção e, consequentemente, as margens de lucro, ou suavizar a pressão por aumentos de preços ao consumidor. Antes, a tributação do IPI era predominantemente definida pela capacidade cúbica do motor. Contudo, com a nova lógica do IPI Verde, a potência máxima do motor tornou-se o fator preponderante. Agora, o percentual base de IPI, que começa em 6,3%, pode ser significativamente alterado para cima ou para baixo, dependendo de critérios como motorização, conteúdo local e emissões, com a potência do motor exercendo um papel crucial. Montadoras em Ação: Exemplos Práticos da Redução de Potência Diversas montadoras já recalibraram ou planejam recalibrar seus motores para se adequarem à nova tabela e evitar os acréscimos percentuais de IPI. A conta é simples: alguns cavalos a menos não comprometem a usabilidade do veículo, mas geram economia tributária substancial. Casos de Sucesso e Próximos Passos Caoa Chery: Modelos como Tiggo 7 e Tiggo 8 tiveram a potência de seus motores 1.5 turbo e 1.6 turbo reduzida. O 1.5 foi de 150 cv para 143 cv, e o 1.6 de 187 cv para 180 cv, resultando em uma economia de 0,75 pp e 1,5 pp no IPI, respectivamente. Stellantis: Pioneira no movimento, a Stellantis (Fiat, Jeep) reduziu o motor T270 1.3 turbo de 185 cv para 176 cv, economizando 1,5 pp de IPI em modelos como Jeep Renegade, Compass, Commander, Fiat Toro e Fastback. Uma nova redução para o motor T200 1.0 turbo (de 130 cv para 116 cv) está a caminho, zerando a adição de IPI para futuros lançamentos como o Jeep Avenger e o novo Fiat Argo. Chevrolet: Modelos como Onix, Onix Plus e Tracker com motor 1.0 turbo tiveram a potência ajustada de 121 cv para 115 cv, eliminando o acréscimo de 0,75 pp de IPI. Volkswagen: O motor 1.0 turbo TSI de 116 cv (170 TSI) já chegou para Polo, Virtus e Tera, permitindo que a marca se enquadre na faixa sem adição de IPI, ao contrário do motor 200 TSI. Hyundai: O Creta 1.6 turbo caiu de 193 cv para 176 cv, reduzindo o IPI de 3 pp para 1,5 pp. O futuro Hyundai i20 e outros modelos com motor 1.0 TGDi também devem ter sua potência reduzida para se beneficiar. Renault: O aguardado Kardian terá seu motor 1.0 TCe turbo flex reduzido de 125 cv para cerca de 116 cv, visando evitar o IPI extra. O Impacto para o Motorista Brasileiro Para o consumidor, essa mudança pode significar carros com uma ligeira perda de potência nominal, mas sem afetar significativamente a usabilidade no dia a dia. A engenharia das montadoras busca o ponto de equilíbrio onde a redução é suficiente para gerar economia tributária sem comprometer a experiência de condução. No longo prazo, a estratégia visa conter a escalada de preços ou, no mínimo, permitir que as montadoras mantenham suas margens, impactando indiretamente o valor final dos veículos no mercado. A transparência sobre essas recalibrações é fundamental para que o motorista faça escolhas informadas, entendendo que a performance pode ser sutilmente ajustada em prol de uma maior competitividade de custos.
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